Governo Lula anuncia resultados que humanizam a fila do INSS
Mesmo com aumento de 40% na demanda desde 2023, Previdência passou a concluir mais processos do que recebe. Espera por perícia médica caiu de 70 para 17 dias e reclamações por demora recuaram 82%
Fila é gente esperando uma resposta. É o trabalhador afastado que precisa saber se terá o benefício, a pessoa com deficiência que aguarda a análise do pedido, a família que depende daquela renda para organizar o mês. Foi olhando para esse tempo de espera que o Governo Lula chegou, em agosto, a uma marca inédita nesta gestão. O INSS alcançou o atendimento sem fila nos pedidos iniciais, com tempo médio de decisão de 34 dias, abaixo do prazo legal de 45 dias.
O resultado veio justamente quando mais brasileiros procuram a Previdência. A média mensal de novos pedidos passou de 897 mil em 2023 para 1,3 milhão em 2026, crescimento de 40%. Ou seja, a fila foi enfrentada não porque a demanda diminuiu, mas porque o INSS aumentou sua capacidade de dar respostas.
“A gente não quer acabar com a fila, porque o dia que a gente acabar com a fila significa que não tem mais ninguém reivindicando o direito. O que a gente quer é humanizar a fila. É a pessoa ter o tempo correto”, afirmou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, explicou que o resultado representa uma mudança na dinâmica do atendimento. “Sempre haverá pessoas esperando uma resposta do INSS, pois entram pedidos novos todos os dias. Zerar a fila é quando temos menos gente esperando do que a quantidade de gente que entrou no mês anterior”, afirmou. “Nessa hora, o que era fila se transforma em fluxo de atendimento. E é isso que significa zerar a fila.”
O avanço ocorreu mesmo diante de uma pressão crescente sobre o sistema. A média mensal de pedidos iniciais saltou de 897 mil em 2023 para 1,3 milhão em 2026, aumento de 40%. Em julho deste ano, foram 1,435 milhão de novos requerimentos, enquanto o INSS concluiu 1,658 milhão de processos, recorde histórico.
“Nós estamos monitorando esses dados desde o início, em 2023, quando recebemos uma fila já grave, com 1,7 milhão de pedidos represados. E só agora, em agosto, isso aconteceu”, disse Wolney. Segundo o ministro, o resultado foi alcançado apesar do crescimento expressivo da procura. “Em 2023, tínhamos uma média mensal de 897 mil pedidos. Em 2025, esse número foi para 1,1 milhão e, agora, em 2026, temos uma média mensal de 1,3 milhão de pedidos.”
MAIS SERVIDORES, TECNOLOGIA E MUTIRÕES – Para mudar o cenário, o Governo Federal combinou reforço de pessoal, novas formas de perícia e ampliação da capacidade de análise. Foram nomeados 2.510 servidores públicos, entre 1.780 técnicos e analistas, 500 peritos médicos federais e 230 assistentes sociais. Também foram adotados teleatendimento para perícia, análise médica documental pelo Atestmed, pagamento de bônus por produtividade e mutirões nos fins de semana.
A Perícia Conectada já está presente em 865 agências. Com o uso da telemedicina e outras medidas, o tempo médio nacional de espera por uma perícia caiu de 70 dias, em agosto de 2023, para 17 dias em agosto de 2026 — redução de 76%. O Atestmed, por sua vez, permite a concessão de benefícios por análise documental, sem necessidade de deslocamento do segurado.
Os mutirões também ganharam escala. Foram 31 mil atendimentos em 2023, 78 mil em 2024, 218 mil em 2025 e 300 mil somente até 31 de agosto de 2026 — crescimento de 868%. O Programa de Gerenciamento de Benefícios acrescentou ainda 2 milhões de atendimentos em 2026, com pagamento de bônus a servidores que concluem tarefas além das metas.
Wolney atribuiu o resultado a uma mobilização que envolveu diferentes áreas do governo e destacou especialmente o papel dos trabalhadores do INSS. “Essa entrega é uma entrega de todo o governo”, afirmou.
O ministro também destacou a escolha de Ana Cristina para a presidência do INSS. “Colocamos uma mulher empoderada, uma pessoa da carreira do INSS, para comandar a maior autarquia da América Latina. Tem sido muito bom vê-la trabalhar”, disse.
MAIS BENEFÍCIOS E MENOS RECLAMAÇÕES– A melhora no atendimento veio acompanhada de aumento nas concessões. A média mensal passou de 501 mil em 2023 para 730 mil entre janeiro e julho de 2026, crescimento de 46%.
Ao mesmo tempo, as reclamações por demora na análise despencaram. Depois de atingirem 15.519 em fevereiro, chegaram a 2.570 em agosto. Entre janeiro e agosto, a queda foi de 82%.
ALCANCE DE 118 MILHÕES DE BRASILEIROS – Ao apresentar os resultados, Wolney chamou atenção também para a dimensão da Previdência Social. São 77 milhões de contribuintes e 118 milhões de brasileiros amparados. Entre as pessoas com 60 anos ou mais, 82% estão protegidas, percentual que chega a 90% na área rural. As mulheres representam 57% dos beneficiários.
Os benefícios previdenciários movimentam R$ 1,1 trilhão por ano. Em 70% dos municípios brasileiros, são a principal fonte de renda, e 26 milhões de pessoas estão fora da extrema pobreza graças aos recursos da Previdência Social.
Para Wolney, esses números ajudam a explicar por que reduzir a espera tem impacto muito além da gestão administrativa. “Quando nós acertamos, milhões de pessoas se beneficiam. E, quando nós avançamos, milhões de pessoas mudam suas vidas. Quando a Previdência Social ganha, ganha o povo brasileiro”, afirmou.
Lula seguiu na mesma direção ao rejeitar a ideia de tratar a proteção previdenciária apenas como despesa. “Isso não é gasto. Isso é obrigação de um Estado civilizado. Garantir que todos possam tomar café, almoçar e jantar todo santo dia. E é isso que a Previdência faz”, concluiu.